segunda-feira, 26 de abril de 2010

Uma Visão Geral sobre o MPS.Br

Por Carlos A. H. Poitevin*

Durante o ano de 2009 trabalhamos na implementação do nível G de maturidade do MPS.Br®, este é o assunto deste meu primeiro post aqui no blog e tem por função tornar mais claro o que é o MPS.Br. Então, vamos começar caracterizando-o.

O MPS.BR é um programa para Melhoria de Processo do Software Brasileiro coordenado pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX), contando com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). [Softex, 2007a]

O MPS.BR está dividido em três (3) componentes (figura abaixo): Modelo de Referência (MR-MPS), Método de Avaliação (MA-MPS) e Modelo de Negócio (MN-MPS). Cada componente é descrito por meio de guias e/ou de documentos do MPS.BR. [Softex, 2007a]

A base técnica para a construção e aprimoramento deste modelo de melhoria e avaliação de processo de software é composta pelas normas NBR ISO/IEC 12207 – Processo de Ciclo de Vida de Software, pelas emendas 1 e 2 da norma internacional ISO/IEC 12207 e pela ISO/IEC 15504 – Avaliação de Processo. Uma avaliação MPS.BR é realizada utilizando o processo e método de avaliação MA-MPS descritos no guia de avaliação. Uma avaliação MPS.BR verifica a conformidade de uma organização/unidade organizacional aos processos do MR-MPS. [Softex, 2007a]

O CMMI® é um modelo de melhoria de processos desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos que também compõem a base técnica para o MR-MPS.



O Modelo de Referência MR-MPS define níveis de maturidade que são uma combinação entre processos e sua capacidade [Softex, 2007a].

Os níveis de maturidade estabelecem patamares de evolução de processos, caracterizando estágios de melhoria da implementação de processos na organização. O nível de maturidade em que se encontra uma organização permite prever o seu desempenho futuro ao executar um ou mais processos. O MR-MPS define sete níveis de maturidade: A (Em Otimização), B (Gerenciado Quantitativamente), C (Definido), D (Largamente Definido), E (Parcialmente Definido), F (Gerenciado) e G (Parcialmente Gerenciado). A escala de maturidade se inicia no nível G e progride até o nível A. Para cada um destes sete níveis de maturidade é atribuído um perfil de processos que indicam onde a organização deve colocar o esforço de melhoria. O progresso e o alcance de um determinado nível de maturidade do MR-MPS se obtém quando são atendidos os propósitos e todos os resultados esperados dos respectivos processos e dos atributos de processo estabelecidos para aquele nível [Softex, 2007a].

Como citado anteriormente, o MPS.Br tem relação direta com o CMMi. Este último é um modelo mundialmente difundido.

Ambos possuem praticamente as mesmas áreas de processos mas diferem na quantidade de níveis de maturidade. Enquanto que o modelo americano possui cinco níveis, numerados de 1 a 5, o MPS.Br possui sete níveis rotulados a partir do G até o A. Isto se deve a estratégia de se tornar a evolução das empresas de forma mais suave, uma vez que a quantidade de processos para serem implementados é menor em cada nível. Outra forma de tornar o modelo mais atrativo para as empresas brasileiras é em relação ao custo de implementação e avaliação que ficam diluídos com mais níveis de maturidade. O programa ainda conta com incentivos governamentais que fomentam a formação de grupos de empresas onde os gastos com consultoria e desenvolvimento das melhorias de processo são rateadas entre estas organizações.

Abaixo é apresentada uma imagem que mostra a divisão dos níveis de maturidade do MPS.Br e a sua correspondência com o CMMi.



Eu não pretendo esgotar o tema neste artigo, apenas quero familiarizar os demais com a preparação para a obtenção do nível G. Nos posts que se seguirem irei apresentar mais conceitos sobre os modelos de melhoria de processos, normas de qualidade, testes e soluções desenvolvidas para atender as exigências do MPS.Br.


* Carlos Poitevin é Bacharel em Informática pela PUC-RS, Especialista em Melhoria de Processos pela UFLA-MG, Certificado na área de testes CBTS-ALATS e CTFL-ISTQB. Responsável pela coordenação da área de Metodolgia Infraestrutura e Pesquisa da SoftDesign.

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